Presidente da Força Jovem denuncia falta de pão e manteiga no CT do Goiás
A crise financeira do Goiás Esporte Clube ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (5). Insatisfeitos com os atrasos salariais, os jogadores decidiram paralisar as atividades e não participaram do treinamento programado. O elenco, que enfrenta aproximadamente quatro meses de pendências financeiras, também se reuniu com dirigentes do clube e representantes da torcida organizada Força Jovem para cobrar soluções.
O encontro contou com a participação do presidente interino do Goiás, Munir Calixto, do diretor financeiro Leonardo Pacheco, de integrantes da Força Jovem e de parte do elenco profissional. Geraldo Neto, candidato à presidência esmeraldina para o próximo triênio, também acompanhou a reunião, mas não se manifestou.
Segundo Kioma, presidente da torcida organizada, a conversa terminou sem qualquer definição concreta sobre o pagamento dos débitos. O dirigente afirmou que a administração apresentou possibilidades de captação de recursos, mas não estabeleceu prazos para regularizar os salários, direitos de imagem e premiações.
“De concreto não tem nada. Existem previsões, inúmeros contratos que estão querendo capitalizar algo financeiro para o clube, mas não tem nada concreto. Não tem uma data concreta de pagamento, não tem como falar que amanhã vai pagar o bicho, a CLT ou os direitos de imagem”, relatou.
A situação também já afeta a estrutura de funcionamento do centro de treinamento. De acordo com Kioma, a falta de recursos compromete até mesmo o fornecimento de itens básicos utilizados no cotidiano do departamento de futebol.
“Está faltando coisa básica, uma manteiga, um distribuidor de pão, um fornecedor. O clube hoje está literalmente às traças. A gente não tem uma infraestrutura cabível a isso”, afirmou o representante da Força Jovem.
Jogadores do Goiás mantêm foco na reta final da Série B
Apesar da insatisfação com a situação financeira, os atletas demonstraram disposição para disputar as duas últimas partidas do Goiás na Série B do Campeonato Brasileiro. Segundo Kioma, o elenco pretende retomar os treinamentos nesta sexta-feira (6), mesmo sem uma solução para os atrasos.
O presidente da Força Jovem também relatou que os jogadores estão cansados das promessas feitas anteriormente por integrantes da administração esmeraldina.
“O que a gente viu dos jogadores é que eles estão focados nesses dois últimos jogos. Estão com o espírito de vencer, de lutar. Mas eles se posicionaram dizendo que cansaram de ouvir satisfação. Algumas pessoas iam ao CT, batiam no peito, falavam que iam resolver o problema e até hoje não resolveram nada”, explicou.
Durante a reunião, Munir Calixto apresentou informações sobre a situação financeira do clube. O presidente interino também informou que uma operação de empréstimo, considerada uma alternativa para aliviar as contas, ainda não foi concretizada.
Geraldo Neto acompanhou a conversa, mas não participou das manifestações. Conforme Kioma, os jogadores aproveitaram o encontro para expor as dificuldades enfrentadas e cobrar um posicionamento mais efetivo da diretoria.
Goiás ainda busca acesso à Série A
A crise financeira acontece em um momento decisivo da temporada. Campeão goiano invicto em 2026, o Goiás ainda tem chances de conquistar o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro.
Restando duas rodadas para o encerramento da primeira fase da Série B, o time esmeraldino enfrentará a Ponte Preta, no Estádio Hailé Pinheiro, e o Sport, na Ilha do Retiro.
Enquanto o elenco tenta manter a concentração na disputa pelo acesso, a diretoria precisa encontrar alternativas para regularizar os pagamentos e recuperar as condições de trabalho no clube.
Os números financeiros reforçam a dimensão do problema. De acordo com os balancetes oficiais, o Goiás acumulou déficit superior a R$ 21 milhões entre janeiro e setembro de 2026.




