
O Goiás Esporte Clube vive uma nova turbulência administrativa. Aroldo Guidão comunicou sua renúncia à presidência executiva do clube, em decisão que movimenta os bastidores da Serrinha e ocorre em meio a uma grave crise financeira e esportiva. A informação foi antecipada pelo comentarista Iago Vinícius, da Rádio Bandeirantes.
Guidão assumiu a presidência executiva após a aprovação do novo estatuto do Goiás, em assembleia realizada na Serrinha, em 14 de agosto de 2026. A mudança encerrou o modelo que contava com um Conselho de Administração e um cargo de CEO e retomou o sistema presidencialista no clube.
Antes da alteração estatutária, Guidão ocupava a presidência do Conselho de Administração, órgão responsável, juntamente com o CEO, por decisões estratégicas nas áreas administrativa, financeira e de futebol.
Paulo Rogério Pinheiro pode assumir provisoriamente
Com a renúncia, uma das principais dúvidas nos bastidores é quem comandará o Goiás até a escolha de um novo presidente. A tendência inicial é que Paulo Rogério Pinheiro, presidente do Conselho Deliberativo, assuma provisoriamente as atribuições da gestão executiva até que o clube defina o novo mandatário.
O novo estatuto estabelecia eleições para dezembro de 2026. Pelo planejamento original, Guidão permaneceria no comando até o fim deste ano. Agora, a saída antecipada levanta a possibilidade de mudança no calendário eleitoral.
Ainda não há definição sobre a antecipação do processo ou sobre a manutenção das eleições no período inicialmente previsto.
Quase três anos na cúpula do clube
Aroldo Guidão fazia parte da cúpula administrativa do Goiás havia quase três anos. Em 15 de dezembro de 2023, ele foi aclamado presidente do Conselho de Administração, com posse prevista para três dias depois.
Durante o período, o órgão atuou na condução de decisões relacionadas às áreas administrativa, financeira e de futebol, em conjunto com o CEO. A gestão, entretanto, passou a ser alvo de críticas por causa dos resultados dentro de campo e da situação financeira do clube.
A postura mais discreta de Guidão e a pouca exposição pública para explicar decisões também contribuíram para o aumento das cobranças. Em junho deste ano, conselheiros chegaram a pedir a renúncia do dirigente durante a reunião que aprovou as contas referentes a 2025.
Crise financeira aumenta pressão na Serrinha
A saída de Guidão acontece em um momento delicado para o Goiás. O clube enfrenta problemas financeiros que envolvem atrasos salariais, direitos de imagem e premiações, além de dificuldades que também atingem funcionários.
A situação de instabilidade se prolonga há aproximadamente cinco meses. O período, contudo, não significa que todos os salários estejam integralmente atrasados durante todo esse intervalo.
Em setembro, os jogadores tornaram pública a insatisfação com a situação. Em uma carta divulgada pelo goleiro Tadeu, o elenco cobrou da diretoria o cumprimento das promessas relacionadas à regularização dos pagamentos.
A renúncia de Aroldo Guidão adiciona mais um capítulo à crise esmeraldina e deixa o clube diante de uma nova definição administrativa justamente em um momento de forte pressão por soluções para os problemas financeiros e esportivos.




